CÂMARA MUNICIPAL DE EUNÁPOLIS
BAHIA

« LIBERDADE  »  HONESTIDADE  »  TRABALHO »

Eunápolis, Sexta Feira 21 de Julho de 2017

RELATO HISTÓRICO SOBRE EUNÁPOLIS

Por: JOSÉ RIBEIRO DA SILVA em 16/05/2017 as 13:00:50 Aplicativo vai integrar comunidade aos seus representantes na Camara Municipal

Eunápolis teve sua origem em área limítrofe dos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, dois dos municípios brasileiros mais antigos, e onde teve início a colonização do nosso país, pelos portugueses.

Desde 1534 até 1759, toda essa área hoje denominada de Costa do Descobrimento – e além dela – pertenceu à Capitania de Porto Seguro - uma das 14 capitanias hereditárias em que o território brasileiro foi dividido pela Coroa portuguesa. Com o fim desse sistema político-administrativo, em 1759, foi implantado um outro, formado pelos municípios. Os primeiros municípios criados na microrregião foram Belmonte, Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália, Trancoso e Vila Verde – hoje, povoado Vale Verde.

Porém, mudanças profundas ocorreram, nos mais de duzentos anos seguintes, com a incorporação/fusão e, principalmente, a criação de outros municípios, de forma a se configurar o quadro político-administrativo existente hoje, composto por oito municípios que formam a microrregião.         

A criação do município de Eunápolis se deu já no final desse período de mudanças, em 1988.

O começo do povoamento na área onde hoje é Eunápolis deu-se, segundo se presume, no início da década de 1930, com a criação de uma pequena povoação denominada de Córrego Grande, hoje Gabiarra. Mais tarde, a partir de 1936, alguns posseiros vindos de Minas Gerais se estabeleceram nos vales do rio Buranhém e no córrego da Platina. Agostinho – que passou a ser conhecido como Agostinho da Platina – nas margens do córrego da Platina, e posteriormente, Manoel Quitiliano, Manoel Serrinha e Antônio Soares, no vale do rio Buranhém.

Porém, as primeiras pessoas a se instalarem na área onde hoje e o centro urbano de Eunápolis foram Joaquim Quatro e Diocleciano, dois aventureiros que aqui construíram rústicas moradas, onde residiram por pouco tempo, e de quem quase nada se sabe.

A hoje cidade de Eunápolis originou de um acampamento de trabalhadores que construíam a BA 02. Uma estradinha lamacenta que cortava o extremo sul baiano – hoje BR 101. Mais especificamente, do acampamento da Emenge, empresa encarregada da construção de um dos trechos da BA-02 – a obra era dividida em trechos, cada um a cargo de uma construtora.

Nesse acampamento – localizado onde hoje é a Praça Eunápio Peltier de Queiroz, também conhecida como Praça do Jacaré -, o padre Emiliano Gomes Pereira, pároco de Porto Seguro, celebrou uma missa campal, no dia 5 de Novembro de 1950. Durante a homilia, o padre afirmou: “Aqui há de surgir um centro progressista, onde cristãos haverão de elevar bem alto os nomes de Jesus e do Brasil”, frase que se tornou célebre para o povo eunapolitano. Na ocasião, no local foi erguido um Cruzeiro, e aquela pequena área, denominada de Praça do Cruzeiro. Assim, o 5 de Novembro passou a ser considerado, data da fundação do povoado.

“Como o pagamento dos operários era feito na sede da EMENGE, as famílias de alguns tarefeiros e operários, começavam a instalar pequenos botecos nas proximidades da empresa, margeando a BA-02 e a rodovia de Porto Seguro. Foi assim que, de barraco em barraco, de família em família, o acampamento foi tomando forma de povoado”, como relatou num livro que deixou inacabado, Vanderley Nascimento, um dos fundadores de Eunápolis.

Esse minúsculo núcleo habitacional que cresceu ocupando territórios dos municípios de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália, e denominado de Quilômetro 64 – numa referência à distância de Porto Seguro -, se expandiu, com a construção de residências, pequenos estabelecimentos comerciais, um prostíbulo e pensões.

Por essa época, caminhos estreitos e tortuosos rasgados por entre a mata fechada eram transitados por tropas de burros que faziam o comércio entre o litoral, toda a região e o vizinho estado de Minas Gerais. Assim, o [quilômetro] 64 passou a servir como uma espécie de entreposto dos tropeiros que faziam o transporte de mercadorias entre o norte de Minas Gerais e Porto Seguro. No local, os tropeiros e comerciantes, passaram a montar espécies de depósitos, feitos de barracas de tecido, onde guardavam as suas mercadorias, que dali eram transportadas por caminhão para Porto Seguro. Da mesma forma, os produtos industrializados que chegavam à cidade litorânea de barcos, vindos de Salvador e Ilhéus, eram guardados nos depósitos do [quilômetro] 64, de onde eram transportados pelos tropeiros para o norte de Minas Gerais e outras localidades.

Assim, esses depósitos geraram um movimento de compra e venda de mercadorias no 64, e com ele, mais gente e dinheiro circulando.  Esse comércio e outras atividades, como a exploração da madeira, propiciaram o crescimento da povoação.

No dia 7 de março de 1954, uma equipe de engenheiros liderada pelo secretário de Viação e Obras Públicas do Estado da Bahia, Eunápio Peltier de Queiroz, veio ao povoado para inaugurar o trecho da BA 02 – ainda de terra batida – que ligava o povoado de Mundo Novo, recém criado com as obras da rodovia, ao 64. Recepcionado com grande festa: ruas enfeitadas, grande público e discursos, o secretário ouviu uma reivindicação da população, que queria a aquisição de uma gleba de terras contíguas à área já ocupada, visando ampliar a povoação que não comportava o grande número de moradores. O Dr. Eunápio prometeu e atendeu ao pedido, e no dia 12 de maio foi lavrado o Recibo da compra de cinco alqueires das fazendas Boa Nova e Gravatá, de propriedade do fazendeiro Ivan de Almeida Moura. A área adquirida permitiu a ampliação da povoação.

No início dos anos 1960, sertanejos de Ribeira do Pombal aqui instalaram grandes armazéns que vendiam no varejo e também no “atacado”. Com as suas vendas no “atacado”, esses estabelecimentos tornaram o povoado um centro fornecedor de mercadorias da microrregião. A partir daí o Comércio cresceu e se diversificou com novas lojas de tecidos, produtos agropecuários, ferragens, louças, confecções, calçados, utilidades domésticas, móveis e eletrodomésticos, entre outros segmentos.

Esse crescimento do Comércio, carro-chefe da economia local, foi seguido pela expansão urbana e o desenvolvimento do então povoado. Durante esse período, outras atividades econômicas contribuíram como coadjuvantes para o progresso local. Como a exploração madeireira, desenvolvida ainda de forma semi-artesanal; a cacauicultura, produzindo os grãos do valioso fruto, nas margens dos rios e córregos; a criação do gado bovino, vindo do sertão, que aos poucos ia se firmando como alternativa econômica; e a agricultura, ainda baseada em culturas tradicionais, como feijão, milho e mandioca, produzidas em regime familiar e para subsistência das família, que se diversificava ao tempo em que eram adotados novos manejos e recursos tecnológicos.

A partir especialmente da segunda metade da década, foram implantadas no povoado a energia elétrica e a iluminação pública - em 1966 -, gerada por um motor de caminhão a diesel, a primeira agência bancária - do Banco de Crédito da Bahia – e o primeiro posto telefônico. Data também do início da década de 60, a instalação dos primeiros cinemas na povoação, em 1962, o que deu nova dinâmica à vida social local.

Esse ciclo virtuoso de progresso tornava Eunápolis, então denominado de “maior povoado do mundo”, o grande provedor de produtos e serviços da região. Porém, foi em 1973, após a construção da BR 101, que Eunápolis e região vivenciaram um dos seus mais importantes ciclos econômicos, o ciclo madeireiro. Durante esse período, centenas de serrarias foram instaladas, cortando árvores - tanto as espécies mais valiosas quanto as menos valiosas espécies da mata atlântica - e transformando-as em troncos que eram vendidos para várias partes da Bahia e do Brasil.

Os capixabas foram maioria entre os fomentadores desse ciclo, que promoveu uma verdadeira transformação na economia local e regional: propiciou o povoamento da região, com a criação de núcleos habitacionais, gerou milhares de empregos diretos e indiretos, atraiu novos empreendimentos, empreendedores, investimentos e milhares de novos moradores. Abriu ainda as cidades litorâneas ao turismo, fortalecendo-as economicamente e desenvolvendo-as, especialmente Porto Seguro, viabilizando a transformação do denominado “sítio do descobrimento” num importante destino turístico nacional.

O progresso trouxe, porém, consequências: efeitos negativos que também marcaram o extremo sul e seu povo. Danos irreparáveis, tanto ao meio ambiente, quanto ao ser humano, com o crescimento da violência nas cidades e no campo.   

No início dos anos 70, o movimento pró-emancipação, iniciado na década anterior, ganhou força. Gestões foram feitas junto ao governo estadual visando sensibilizá-lo para essa reivindicação dos moradores do povoado, porém, não deram o resultado esperado. Insistentes, os grupos políticos e da sociedade interessados na emancipação buscaram outros caminhos, fazendo os estudos de viabilidade – territorial e sociológico – e o levantamento eleitoral, que embasaram um projeto de lei que foi apresentado na Assembleia Legislativa (AL) visando a emancipação. Porém, o projeto foi arquivado, não logrando êxito.

Em 1980, o projeto foi desarquivado. Retornando à tramitação na AL, foi aprovado, e, ato contínuo, foi marcado a realização de um Plebiscito que decidiria pela emancipação ou não. Realizada no dia 25 de novembro de 1984, a consulta popular resultou na não aprovação da Emancipação.

Em 1986, o deputado estadual José Ramos Neto incluiu o nome de Eunápolis num projeto de lei já em tramitação na AL, que previa a emancipação de outros municípios baianos. O projeto foi aprovado e um novo Plebiscito marcado. Realizada no dia 7 de fevereiro de 1988, a consulta popular aprovou a emancipação. 21.897 votos foram dados ao “Sim”, pela emancipação, e 121 votos foram dados ao “Não”, contra.

No dia 12 de maio do mesmo ano, o governador Waldir Pires sancionou o projeto, transformando-o em lei (nº 4.770). Eunápolis obtinha, enfim, a sua Emancipação.  

 

Texto de Teoney Araújo Guerra, Jornalista que está escrevendo um livro contando a história de Eunápolis.Foto Site Toda Bahia.

 


FOTOS


Desculpe. Não temos nehuma foto na galeria de fotos até o momento.

VÍDEOS

Desculpe. Não temos nehum vídeo para mostrar até o momento.

ENQUETE

Na sua opinião, qual é o principal problema do nosso Município?
Educação Emprego Saúde Segurança Ver Resultado
Resultado da Enquete Educação 5 Emprego 1 Saúde 5 Segurança 7